Vamos falar de cadeirões...

28-01-2020

Vamos falar de cadeirões. Não, não me enganei. É mesmo sobre cadeirões. Há quem fale de poltronas! Antes da década de 30, sensivelmente, os dois nomes eram usados, de forma similar, para cadeiras de madeira com descanso de braço. Hoje já não. Sim, eu sei. Não será, assim, tão importante pararmos nestes pormenores. Vamos ao que importa, realmente! Esperem: deixem-me só partilhar esta curiosidade. Sabiam que (vamos para o Egipto antigo, agora) as poltronas eram consideradas um assento de honra, sendo reservadas para o faraó? E que o estrato social acabava por determinar o tipo de cadeira em que cada um se podia sentar? Aos mais humildes restavam os banquinhos! De alguma forma, continuo a sentir que há "banquinhos" a mais nos dias de hoje. O mesmo das "poltronas faraónicas". E não devia. Num conceito de sociedade que, mais do polarizado, devia primar por "assentos de honra" baseados no respeito por cada um de nós (o que significa dizer que todos temos direito a conquistar poltronas, não faraónicas e que nos façam olhar, de cima para baixo, para os banquinhos, mas, sobretudo, confortáveis e aconchegantes. Mesmo que nasçamos num lugar e num momento em que não as há!)! Bem, vamos ao que me trouxe até aqui!

Li, no dicionário, que um cadeirão é: 1. uma cadeira grande; 2. Uma cadeira grande de braços, geralmente estofada. Discordo! O cadeirão era a "casa" onde se sentavam os meus avós, ao final da tarde. Sempre no mesmo local. Lado a lado (ainda hoje me pergunto como é possível os cadeirões estarem exactamente ali...Fiéis amigos!). Onde me apoiava para fazer penteados aos cabelos grisalhos, fininhos, do meu avô. Onde, ao meu lado, via a serem enrolados, pelos dedos da minha irmã, os cabelos da avó. Um cadeirão não é só um cadeirão. Um cadeirão abriga-nos quando chegamos a casa e precisamos de colo. Quando não temos colo! Um cadeirão não fala. Mas também fala. Acreditem! Tem braços que se prolongam pelos nossos. Um cadeirão permite, sempre, sem nos perguntar «porquê?», que nos aninhemos nele. E adormecermos quando estamos mais cansados. Um cadeirão tem história. Sempre que visito a sala, (vazia), agora, dos meus avós e os olho, a eles, os cadeirões, regresso a um tempo sem métricas. Eles permanecem lá. Os cadeirões. [Parecem árvores. Daquelas árvores seculares com raízes tão profundas que se transformam em património histórico]. Os meus avós também. Mesmo que já não! Os cadeirões têm corpo. Já repararam nas pernas e nos braços deles? Vá, fujam da normalidade do que vos é dado. Um cadeirão nunca é, como nada do que vemos na vida, apenas um cadeirão. Acreditem, por favor! Não é, igualmente, uma peça de mobiliário. Faz parte da história de uma casa. Quando uma casa é, no fundo, uma casa. E não um aglomerado de paredes. Quando uma casa se constrói sobre os sonhos de quem lá vive. Quando uma casa se projecta sobre as palavras, os sorrisos, as lágrimas, a cumplicidade, a inquietude...de quem a habita. Um cadeirão pode ser uma cadeira grande de afectos. Quando escasseiam os afectos. Um cadeirão pode ser uma cadeira grande de solidões. Quando sobram os gestos. Um cadeirão pode ser uma cadeira grande de braços, geralmente estofados de história. Quando as vivemos junto dos que nos abraçam, também! E que nos acompanham, lado a lado. Lado a lado. Como os meus avós!

P:S. Não será, assim, tão relevante saber se vos falo na primeira ou terceira pessoa. Porque, no essencial, mais do que se escreve, restará, apenas, o que cada um de vós se permite olhar e interpretar, através da vossa história. Porque todos nós temos cadeirões. Ou desejámos ter, um dia!

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