O vírus do perfecionismo…ou da escassez!

17-12-2020
Tanta e tantas vezes. A palavra perfecionismo nas histórias que se contam. Ou nos corpos que desfilam nas redes sociais. Mas, isto, daria para uma outra “prosa”! Fica para a próxima. Ainda ontem, em conversa, me diziam que não sabiam como controlar a ansiedade. Controlar a ansiedade. Controlo, controlo, controlo. Ou, então, o que se esconde por detrás dessa palavra, medo do descontrolo, descontrolo, descontrolo. Ou, então, indo a fundo, “quem olha por, e para, mim”? Talvez não seja o mais acertado falarmos em ansiedade, neste caso que vos conto (uma resposta natural que nos protege tantas e tantas vezes). Mas de angústia. Mas angústia de quê? De um futuro que antecipamos, com medo e medo e medo? De um passado que revisitamos, por vezes, em tristeza e mágoa? Voltando à conversa de ontem…dizia-me essa pessoa “quando tudo está a correr bem comigo, tenho ansiedade, na mesma…parece que vivo em escassez”. Parei aqui! Não importa o resto da conversa, porque, essa, ficará para nós. Escassez. Bem, se o “perfecionismo” fosse uma pessoa que se olhasse ao espelho, decerto veria, do outro lado, uma cara assustada e com medo que lhe descobrissem as suas falhas (a falha que habita em si de uma forma persistente mas que tenta maquilhar com o “tal perfecionismo”). Porque, no fundo, é esse o medo do descontrolo, neste caso em específico que vos relato: “gostarão de mim se eu falhar?”. Há um tal medo deste “se” que passamos a ter, ainda, mais medo “dele”. Todos temos uma história. E, nalgumas histórias, parece morar algum desencanto e desamor. Não que não haja, originalmente, amor, mas um desamor de cada vez que se atropelam nesse amor desencontrado. Imaginem… de cada vez que comparamos alguém de quem gostamos com outro alguém a quem atribuímos, com um olhar diferente, mais feitos (nem que à boleia de uma comparação com uma nota de um teste), ou, ainda mais um exemplo, de cada vez que atribuímos à pessoa de quem gostamos o rótulo de “pessoa exemplo” (com o risco que daí decorre para a própria e para a outra pessoa a quem se diz que se lhe tem de seguir o exemplo e, por isso, poderá sentir que nunca lhe chegará, sequer, aos calcanhares; conclusão, sofrem ambos os lados da equação!) e se, porventura, esse padrão se repetir, silenciosamente, existirá, sobretudo, escassez. Qualquer coisa como: “serei alguma vez suficiente para a pessoa que amo e que, desejo, sinta o mesmo por mim?” ou “gostarão mais de mim quando dizem que eu sou um exemplo?” ou “gostarão mais de mim mesmo quando me comparam com o exemplo que me pedem para ser, por mais que não se apercebam que o fazem?”. E começa, aí, o carrossel de exigências. Da escassez, ao mesmo tempo, que podemos sentir nesses entretantos. Caso, claro, se acumulem e prolonguem no tempo. Que fique claro: termos orgulho e vaidade no que conquistamos é essencial. E saudável. Não desistirmos dos nossos objetivos, igualmente. Termos o orgulho de quem nos gosta, também. Mas, quando, a certa altura, andamos a correr em função de um perfecionismo (por sobrevivência perante a dor que ele esconde) sobrará o desamor que poderemos sentir, uma ou outra vez, uma ou outra vez, a vida toda. E, aí, só restará a imagem que vemos no espelho. E o desamor em que nos sentimos, permanentemente. Façamos nós o que fizermos. E, claro, se não encontrarmos ninguém que nos acolha e repare. Se existir, apenas, a escassez e a ilusão da expetativa, não falaremos, apenas, de ansiedade. Mas da angústia, e dor, dum futuro que nunca deixa de ser o passado constante de todos os dias!
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